Esperança

Se em Deus depositamos também a Esperança, se Nele esperamos, finalmente o encontraremos

Testemunho - Dignidade devolvida

Testemunho de Gabi que teve sua dignidade de filha de Deus resgatada após seu encontro pessoal com Jesus. O Senhor a conduziu a um processo de conversão diária, luta verdadeira pela santidade.

Arcebispo americano responde aos que acham que podem ser “católicos, mas à sua maneira”

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Dom José Gómez, Arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos), questionou “uma grande tentação” entre os fiéis atualmente: fazer a Deus ou a Igreja “a nossa imagem e semelhança”, algo próprio de uma cultura “obstinada com a autoexpressão e a realização pessoal”.

 

Em sua coluna intitulada “O lugar de encontro entre os desejos de Deus e os nossos”, o Prelado assinala que não devemos cair nessa tentação da qual adverte e se deve encontrar Deus de “maneira correta”.

 

Como fazer isso?


O Arcebispo de Los Angeles explicou que a educação religiosa é uma das chaves para encontrar este caminho, porque por meio dela a pessoa pode ser formada acerca da verdade, algo que ajuda na sua conversão “a Cristo e em Cristo” e assim descobrir “o caminho que Deus estabeleceu” para a própria vida.

 

“A conversão é a chave de tudo, uma conversão que nos leve a compreender que nossas vidas têm uma direção e um plano; uma conversão que conduza a nossa transformação espiritual na imagem de Jesus Cristo”.

 

Estas verdades, prossegue o Prelado, “Deus as confiou à sua Igreja” e estão nas “Escrituras, na Tradição, na liturgia e no Catecismo da Igreja Católica”.

 

Também indicou que “se nosso encontro com Cristo não nos leva a transformação pessoal, a mudar nosso comportamento, nossa forma de pensar, nossa visão do mundo e maneira de nos relacionar com outros, então este encontro não é verdadeiro”.

 

“Se nosso ‘encontro’ com Cristo só confirma o caminho que já estamos percorrendo ou nossas próprias preferências e hipóteses, então encontramos um ‘Cristo falso’ ou um Cristo de nossa própria fabricação ou fabricado por alguém mais”.


Fonte: ACI Digital

Papa Francisco no Ângelus: Deus não nos identifica com o mal que cometemos

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O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (13/03), com os fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

 

Na alocução que precedeu a oração, o pontífice frisou que “o evangelista João apresenta o episódio da mulher adúltera, evidenciando o tema da misericórdia de Deus que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”.

 

“A cena se realiza na esplanada do templo. Jesus está ensinando às pessoas e eis que chegam alguns escribas e fariseus que arrastam diante Dele uma mulher que tinha sido pega em adultério. Esta mulher se encontra ali, entre Jesus e a multidão, entre a misericórdia do Filho de Deus e a violência, a raiva de seus acusadores. Na realidade, eles não foram ao Mestre para pedir-lhe o seu parecer, mas para fazer-lhe uma armadilha. De fato, se Jesus seguir a severidade da lei, aprovando a lapidação da mulher, perderá a sua fama de mansidão e bondade que tanto fascina o povo; se ao invés for misericordioso, irá contra a lei que Ele mesmo disse não querer abolir, mas cumprir.”

 

Segundo Francisco, “esta má intenção se esconde debaixo da pergunta que eles fazem a Jesus: ‘E tu, o que dizes?’ Jesus não responde, se cala e realiza um gesto misterioso: ‘Inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo’. Desta maneira, convida todos à calma, a não agir de impulso e procurar a justiça de Deus. Mas aqueles, maus,  insistem e esperam dele uma resposta. Parece que tinham sede de sangue. Então, Jesus levanta o olhar e diz: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra’.”

 

“Esta resposta abala os acusadores, desarma todos no verdadeiro sentido da palavra: Todos depuseram as armas, ou seja, as pedras prontas para serem lançadas, tanto aquelas visíveis contra a mulher, quanto as pedras escondidas contra Jesus. Enquanto o Senhor continua escrevendo no chão, os acusadores vão embora um por um, com a cabeça baixa, começando pelos idosos, mais conscientes de não serem sem pecado.”

 

“Quanto bem nos fará ser conscientes de que também nós somos pecadores! Quando falamos mal dos outros e todas essas coisas que nós conhecemos! Quanto bem nos fará ter a coragem de fazer cair no chão as pedras que lançamos contra os outros e pensar um pouco em nossos pecados”, sublinhou o Papa.

 

  “Permaneceram ali a mulher e Jesus: a miséria e a misericórdia, uma diante da outra. Quantas vezes isso nos acontece, quando nos detemos diante do confessionário, com vergonha, para mostrar a nossa miséria e pedir perdão? 'Mulher, onde estão eles?’, disse Jesus. Basta esta constatação e o seu olhar cheio de misericórdia, cheio de amor para fazer aquela pessoa sentir, talvez pela primeira vez, que tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, ela tem uma dignidade de pessoa, que pode mudar de vida, pode sair daquelas escravidões e caminhar numa estrada nova”, disse ainda o pontífice.

 

Francisco destacou que “aquela mulher representa todos nós que somos pecadores, ou seja, adúlteros diante de Deus, traidores de sua fidelidade. A sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus. Ele é a graça que salva do pecado e da morte. Ele escreveu no chão, no pó do qual é formado todo ser humano, a sentença de Deus: Não quero que morra, mas que tenha vida.”

 

Segundo o pontífice, “Deus não nos prega ao nosso pecado, não nos identifica com o mal que cometemos. Temos um nome e Deus não identifica esse nome com o pecado que cometemos. Ele quer nos libertar e quer que também nós queiramos junto com Ele. Quer que a nossa liberdade se converta do mal para o bem, e isso é possível com a sua graça”.

 

O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria que nos ajude a confiar-nos completamente à misericórdia de Deus para nos tornar novas criaturas.

 

Fonte: News Vatican.

8 virtudes de Maria – e como viver cada uma delas

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1. Paciência: Nossa Senhora passou por muitos momentos estressantes de provação, de incômodo e de dor, durante toda sua vida, mas suportou tudo com paciência. Sua tolerância era admirável! Nunca se revoltou contra os acontecimentos, nem mesmo quando viu o próprio filho na Cruz! Sabia que tudo era vontade de Deus e meditava tudo isso em seu coração. Maria, nossa mãe, teve sempre paciência, sabendo aguardar em paz aquilo, que ainda não se tenha obtido, acreditando que iria conseguir, pela espera em Deus.

 

Imitando essa virtude: Ter paciência é não perder a calma, manter a serenidade e o controlo emocional. Além disso é saber suportar, como Maria, os desabores e contrariedades do dia a dia, saber suportar com paciências nossas próprias cruzes. Devemos saber ouvir as pessoas com calma e atenção, sem pressa, exercitando assim a virtude da caridade. Fazer um esforço para nos calarmos frente aquelas situações mais irritantes e estressantes. Quando houver um momento de impaciência pode-se rezar uma oração, como por exemplo, um Pai-nosso, buscando se acalmar para depois tentar resolver o conflito. Devemos nos propor, firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no autocarro lotado, do tempo que levamos sem comer nada… Temos que renunciar, frases típicas, que são ditas pelos impacientes: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você…!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”, “Estou farto disso!”. Fugir da ira, se calando ou rezando nesses momentos. A paciência se opõe à ira! “Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança.”(Rom. 5,3-4) “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, esta­rá sujeito ao inferno de fogo.”(Mat 5,22).

 

2. Oração contínua: Nossa Senhora era silenciosa, estava sempre num espírito perfeito de oração. Tinha a vida mergulhada em Deus, tudo fazia em Sua presença. Mulher de oração e contemplação, sempre centrada em Deus. Buscava a solidão e o retiro pois é na solidão que Deus fala aos corações. “Eu a levarei à solidão e falarei a seu coração (Os 2, 14)” Em sua vida a oração era contínua e perseverante, meditando a Palavra de Deus em seu coração, louvando a Deus no Magnificat, pedindo em Caná, oferecendo as dores tremendas que sentiu na crucificação de Jesus, etc.

 

Imitando essa virtude: Buscar uma vida interior na presença de Deus, um “espírito” contínuo de oração. Não se limitar somente as orações ao levar, ao se deitar e nas refeições, estender a oração para a vida, no trabalho, nos caminhos, em fim, em todas as situações, buscando a vontade de Deus em sua vidas. “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). e “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.”(Fil 6,6-7).

 

3. Obediência: Maria disse seu “sim” a Deus e ao projeto da salvação, livremente, por obediência a vontade suprema de Deus. Um “sim” amoroso, numa obediência perfeita, sem negar nada, sem reservas, sem impor condições. Durante toda a vida Nossa Mãezinha foi sempre fiel ao amor de Deus e em tudo o obedeceu. Ela também respeitava e obedecia as autoridades, pois sabia que toda a autoridade vem de Deus.

 

Imitando essa virtude: O Catecismo da Igreja Católica indica que a obediência é a livre submissão à palavra escutada, cuja verdade está garantida por Deus, que é a Verdade em si mesma. Esforcemo-nos para obedecer a requisitos ou a proibições. A subordinação da vontade a uma autoridade, o acatamento de uma instrução, o cumprimento de um pedido ou a abstenção de algo que é proibido, nos faz crescer. Rezar pelos superiores. Obedecer sempre a Deus em primeiro lugar e depois aos superiores. Obedecer a Deus é obedecer seus Mandamentos, ser dócil a Sua vontade. Também é ouvir a palavra e a colocar em prática. “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Luc 1, 38).

 

4. Mãe do Supremo Amor: Nossa Mãe cheia de graça ama toda a humanidade com a totalidade do seu coração. Cheia de amor, puro e incondicional de mãe, nos ama com todo o seu coração imaculado, com toda energia de sua alma. Nada recusa, nada reclama, em tudo é a humilde serva do Pai. Viveu o amor a Deus, cumprindo perfeitamente o primeiro mandamento. Fez sempre a Vontade Divina e por amor a Deus aceitou também amar incondicionalmente os filhos que recebeu na cruz. Era cheia da virtude da caridade, amou sempre seu próximo, como quando visitou Isabel, sua prima, para a ajudar, ou nas bodas de Caná, preocupada porque não tinham mais vinho.

 

Imitando essa virtude: Todos os homens são chamados a crescer no amor até à perfeição e inteira doação de si mesmo, conforme o plano de Deus para sua vida. Devemos buscar o verdadeiro amor em Deus, o amor ágape, que nos une a todos como irmãos. Praticar o amor ao próximo, a bondade, benevolência e compaixão. O amor é doação, assim como Maria doou sua vida e como Jesus se doou no cruz para nos salvar, também devemos nos doar ao próximo, por essa razão o amor é a essência do cristianismo e a marca de todo católico. “Por ora subsistem a fé, a esperança e o amor – estes três. Porém, o maior deles é o amor.” (I Cor. 13,13).

 

5. Mortificação: Maria, mulher forte que assume a dor e o sofrimento unida a Jesus e ao seu plano de salvação. Sabe sofrer por amor, sabe amar sofrendo e oferecendo dores e sacrifícios. Sabe unir-se ao plano redentor, oferecendo a Vítima e oferecendo-se com Ela. Maria empreendeu, e abraçou uma vida cheia de enormes sofrimentos, e os suportou, não só com paciência, mas com alegria sobrenatural. Nada de revolta, nada de queixas, nada de repreensões ou mau humor. Pelo contrário, dedicou-se à meditação para buscar entender o motivo que leva um Deus perfeito a permitir aqueles acontecimentos. Pela meditação, pela submissão, pela humildade, Ela encontrou a verdade.

Imitando essa virtude: Muitas vezes Deus nos envia provações que não compreendemos, portanto devemos seguir o exemplo de Nossa Senhora e meditar os motivos que levam um Deus perfeito a permitir essas provações, aceitá-las e saber oferecer todas as nossas dores a Jesus em expiação dos nossos pecados, pelos pecados de todos e pelas almas, unindo nossos sofrimentos aos sofrimentos de Jesus na Cruz. Não devemos oferecer somente os grandes sofrimentos, devemos oferecer também o jejum, fugir do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecer alguns sacrifícios a Deus, seja no comer (renunciar de algum alimento que se tenha preferência ou simplesmente esperar alguns instantes para beber água quando se tem sede), nas diversões (televisão principalmente), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo. É indispensável sorrir quando se está cansado, terminar uma tarefa no horário previsto, ter presente na cabeça problemas ou necessidades daquelas pessoas que nos são caras e não só os próprios. Oferecer os sofrimentos, desconfortos da vida, jejuns e sacrifícios a Deus pela salvação das almas. “Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta.” (Lamentações 1,12).6. Doçura: Nossa Senhora, é a Augusta Rainha dos Anjos, portanto senhora de uma doçura angelical inigualável. Ela é a cheia de graça, pura e imaculada. Ela pode clamar as Legiões Celestes, que estão às ordens, para perseguirem e combaterem os demônios por toda a parte, precipitando-os no abismo. A Mãe de Deus é para todos os homens a doçura. Com Ela e por Ela, não temos temor.

 

Imitando essa virtude: A doçura é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera. A doçura é antes de tudo uma paz, a manifestação da paz que vem do Senhor. É o contrário da guerra, da crueldade, da brutalidade, da agressividade, da violência… Mesmo havendo angústia e sofrimento, pode haver doçura. “Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.” (Col. 3,12).

 

7. Fé viva: Feliz porque acreditou, aderiu com seu “sim” incondicional aos planos de Deus, sem ver, sem entender, sem perceber. Nossa Senhora gerou para o mundo a salvação porque acreditou nas palavras do anjo, sua fé salvou Adão e toda a sua descendéncia. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: “E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). A inabalável fé de Nossa Senhora sofreu imensas provas: – A prova do invisível: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus; – A prova do incompreensível: Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno; – A prova das aparências contrárias: Viu-O finalmente maltratado e crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder. Senhora da fé, viveu intensamente sua adesão aos planos de Deus com humildade e obediência.

 

Imitando essa virtude: A fé é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma virtude, devemos pedir a Jesus como fizeram os apóstolos para aumentar a nossa fé. Porém ter fé não é o bastante, é preciso ser coerente e viver de acordo com o que se crê. “Porque assim como sem o espírito o corpo está morto, morta é a fé, sem as obras” Tg (2,26). Ter fé é acreditar que se recebe uma graça muito antes de a possuir e é, acima de tudo, ter uma confiança inabalável em Deus! “Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.” (Luc 17,6).

 

8. Pureza Divina: Senhora da castidade, sempre virgem, mãe puríssima, sem apego algum as coisas do mundo, Deus era o primeiro em seu coração, sempre teve o corpo, a alma, os sentidos, o coração, centrados no Senhor. O esplendor da Virgindade da Mãe de Deus, fez dela a criatura mais radiosa que se possa imaginar. O dogma de fé na Virgindade Perpétua na alma e no corpo de Maria Santíssima, envolve a concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, assim como sua maternidade virginal. Para resgatar o mundo, Cristo tomou o corpo isento do pecado original, portanto imaculado, de Maria de Nazaré.

 

Imitando essa virtude: Esta preciosa virtude leva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Nossa Senhora disse, na aparição de Fátima, que os pecados que mais mandam almas para o inferno, são os pecados contra a pureza. Não que estes sejam os mais graves, e sim os mais frequentes. Praticar a virtude da castidade, buscando a pureza nos pensamentos, palavras e acções! Os olhos são os espelhos da alma. Quem usa seus olhos para explorar o corpo do outro com malícia perde a pureza. Portanto, coloque seus olhos em contemplação, por exemplo na Adoração, e receba a luz que santifica. Quem luta pela castidade deve buscá-la por três meios: o jejum, a fugida das ocasiões de pecado e a oração. “Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade” (I Cor.5,8).

 

Fonte: Aleteia

Irmã Dulce: Há 24 anos o Brasil se despedia de seu Anjo Bom

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Neste domingo, 13 de março, a Igreja no Brasil recordou os 24 anos do falecimento de seu Anjo Bom, a Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. A data foi celebrada no santuário a ela dedicado em sua terra natal, Salvador (BA).

 

“Irmã Dulce ficou em nossa memória, em nosso coração, em nossas vidas e, sobretudo, na vida de todos aqueles que acorrem às Obras Sociais Irmã Dulce e se beneficiam deste grande legado de amor que ela deixou”, destacou o reitor do Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, Frei Vandeí Santana, ao site da OSID.

 

Para o reitor, a memória da religiosa “ficou e ficará. Porque, não obstante estes 24 anos de partida, uma certeza nos anima: sua ‘presença’ na ‘ausência’”.

 

Frei Vandeí presidiu a Missa solene neste domingo, às 8h30, no Santuário, a qual reuniu milhares de fiéis e admiradores da vida e obra de Irmã Dulce, entre eles, funcionários, pacientes, moradores, alunos, voluntários e religiosos da OSID.

 

Irmã Dulce faleceu em 13 de março de 1992, aos 77 anos, após uma vida inteira dedicada a cuidar dos pobres e enfermos. Ela nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador (BA), tendo recebido como nome de batismo Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes.

 

Ainda menina, a pequena já demonstrava seu interesse pela vida religiosa e, aos 13 anos, começou a tender os doentes e carentes na porta de sua casa, a qual passou a ser conhecida como “A Portaria de São Francisco”.

 

Em fevereiro de 1933, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, e recebeu o hábito em agosto do mesmo ano. Foi então que adotou o nome Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, que faleceu quando ela tinha apenas 7 anos.

 

De volta à sua terra nata Salvadoral, iniciou em 1935 um trabalho assistencial junto às comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe.

 

Em 1939, depois de muito lutar para cuidar de seus doentes, ocupou um galinheiro ao lado do convento, depois a autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu início à criação das Obras Sociais Irmã Dulce, instituição considerada hoje um dos maiores complexos de saúde pública do país, com cerca de quatro milhões de atendimentos ambulatoriais por ano.

 

A religiosa chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz em 1988 pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia.

 

Irmã Dulce foi beatificada em 22 de maio de 2011 e agora segue o seu processo de canonização, para o qual é necessária a comprovação de mais um milagre atribuído à freira baiana.

 

Sua festa litúrgica é celebrada no dia 13 de agosto, recordando a data em que recebeu o hábito de sua Congregação.

 

Fonte: ACI Digital

Quarta pregação da Quaresma do Fr. Cantalamessa

1   Frei Raniero ca48eLeia a quarta meditação de Quaresma do Fr. Raniero Cantalamessa, OFM Cap, Pregador da Casa Pontifícia.

 

MATRIMÔNIO E FAMÍLIA na "Gaudium et Spes" e na atualidade

 

Dedico esta meditação a uma reflexão espiritual sobre a Gaudium et Spes, constituição pastoral sobre a Igreja no mundo. Dos vários problemas da sociedade abordados neste texto conciliar – cultura, economia, justiça social, paz –, o mais atual e problemático é o do matrimônio e família. A ele a Igreja dedicou os dois últimos sínodos dos bispos. A maioria de nós aqui presentes não vive diretamente esse estado de vida, mas todos temos de conhecer os seus problemas para compreender e ajudar a grande maioria do povo de Deus que vive no matrimônio, especialmente agora que ele está no centro de ataques e ameaças de todas as partes.

 

A Gaudium et Spes trata a fundo da família no início da segunda parte (núm. 46-53). Não há necessidade de citar as suas declarações, que refletem a doutrina católica tradicional que todos nós conhecemos, além do novo destaque dado ao amor mútuo entre os cônjuges, abertamente reconhecido como um bem do matrimônio, também este primário, junto com a procriação.

 

Sobre o matrimônio e a família, a Gaudium et Spes, de acordo com o seu bem conhecido procedimento, destaca antes de tudo as conquistas positivas do mundo moderno (“as alegrias e as esperanças”), e, em segundo lugar, os problemas e os perigos (“as tristeza e as angústias”). Eu proponho seguir o mesmo método, tendo em conta, no entanto, as mudanças dramáticas que ocorreram neste campo ao longo do meio século transcorrido desde então. Evocarei rapidamente o desígnio de Deus sobre matrimônio e família, porque é sempre dele que nós, crentes, devemos partir, para em seguida ver o que a revelação bíblica pode trazer para a solução dos problemas atuais. Deliberadamente me abstenho de tocar alguns problemas particulares discutidos no sínodo dos bispos, sobre os quais só o Papa tem agora o direito de ainda dizer alguma palavra.

 

1. Matrimônio e família no projeto divino e no Evangelho de Cristo

 

O livro do Gênesis tem dois relatos diferentes da criação do primeiro casal humano, que remontam a duas tradições diferentes: a javista (século X a.C.) e a mais recente (século VI a.C.), chamada de “sacerdotal”. Na tradição sacerdotal (Gênesis 1, 26-28), o homem e a mulher são criados simultaneamente, não um do outro; há uma relação entre ser homem e mulher e ser à imagem de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. O fim primário da união entre o homem e a mulher é visto no serem fecundos e encherem a terra.

 

Na tradição javista, que é a mais antigo (Gn 2, 18-25), a mulher vem do homem; a criação dos dois sexos é vista como um remédio para a solidão (“Não é bom que o homem esteja só; vou lhe dar uma ajuda que lhe seja semelhante”); mais que o fator da procriação, acentua-se o fator unitivo (“o homem se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne”); cada um é livre diante da própria sexualidade e da sexualidade do outro: “ambos estavam nus, o homem e sua mulher, mas não se envergonhavam”.

 

A explicação mais convincente do porquê desta “invenção” divina da distinção dos sexos eu encontrei não num exegeta, mas em um poeta, Paul Claudel:

 

“O homem é um ser orgulhoso; não havia outra maneira de fazê-lo compreender o próximo senão fazê-lo vir da sua carne; não havia outra maneira de fazê-lo entender a dependência e a necessidade se não mediante a lei sobre ele deste ser diferente [a mulher], devida ao simples fato de que esse ser existe”[1].

 

Abrir-se ao outro sexo é o primeiro passo para se abrir ao outro que é o próximo, até o Outro com letra maiúscula que é Deus. O matrimônio nasce sob o signo da humildade; é reconhecimento de dependência e, portanto, da própria condição de criatura. Enamorar-se de uma mulher ou de um homem é fazer o ato mais radical de humildade. É tornar-se mendicante e dizer ao outro: “Eu não basto para mim mesmo; eu preciso do teu ser”. Se, como pensava Schleiermacher, a essência da religião consiste no “sentimento de dependência” (Abhaengigheitsgefühl) perante Deus, então podemos dizer que a sexualidade humana é a primeira escola da religião.

 

Até aqui, o projeto de Deus. Não é explicável o resto da própria Bíblia, no entanto, se, junto com o relato da criação, não se leva em conta ainda o da queda, em especial o que é dito à mulher: “Multiplicarei as tuas dores; na dor darás à luz os filhos. Ao teu marido se voltará o teu instinto, mas ele te dominará” (Gn 3,16). O predomínio do homem sobre a mulher faz parte do pecado do homem, não do projeto de Deus; com aquelas palavras, Deus o prenuncia, não o aprova.

 

A Bíblia é um livro divino-humano não só porque tem como autores Deus e o homem, mas também porque descreve, misturadas entre si, a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem. Isto é particularmente evidente quando se compara o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família com a sua aplicação prática na história do povo escolhido. Para ficar no livro do Gênesis, o filho de Caim, Lameque, já viola a lei da monogamia tomando duas esposas. Noé, com a sua família, se mostra uma exceção em meio à corrupção geral do seu tempo. Os mesmos patriarcas Abraão e Jacó têm filhos com mais de uma mulher. Moisés autoriza a prática do divórcio; Davi e Salomão mantêm um verdadeiro harém de mulheres.

 

Mais do que nas transgressões práticas específicas, o afastamento do ideal inicial é visível na concepção de fundo que se tem do matrimônio em Israel. O principal obscurecimento se refere a dois pilares. O primeiro é que o matrimônio, de fim, se torna meio. O Antigo Testamento, como um todo, considera o matrimônio como uma estrutura de autoridade patriarcal, destinada principalmente à perpetuação do clã. Neste sentido, devem ser entendidas as instituições do levirato (Dt 25, 5-10), do concubinato (Gn 16) e da poligamia provisória. O ideal de uma comunhão de vida entre o homem e a mulher, fundada em uma relação pessoal e recíproca, não é esquecido, mas passa a segundo plano em relação ao bem da prole. O segundo grande obscurecimento se refere à condição da mulher: de companheira do homem, dotada de igual dignidade, ela aparece cada vez mais subordinada ao homem e em função do homem.

 

Um papel importante em manter vivo o projeto inicial de Deus sobre o matrimônio é desempenhado pelos profetas, em especial Oseias, Isaías, Jeremias e o Cântico dos Cânticos. Assumindo a união do homem e da mulher como símbolo da aliança entre Deus e seu povo, eles recolocavam em primeiro plano os valores do amor mútuo, da fidelidade e da indissolubilidade que caracterizam a atitude de Deus para com Israel.

 

Jesus, que veio “recapitular” a história humana, recapitula também o matrimônio.

 

“Alguns fariseus se aproximaram então para testá-lo e lhe perguntaram: É lícito a um homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo? E ele respondeu: Não lestes que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher (Gn 1, 27) e disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne? (Gn 2, 24). Eles não são mais dois, e sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19,3-6).

 

Os adversários se situam no âmbito estreito da casuística de escola (se é lícito repudiar a mulher por qualquer motivo ou se é preciso um motivo específico e sério). Jesus responde desde o início a partir da raiz do problema. Em sua citação, Jesus se refere aos dois relatos da instituição do matrimônio, toma elementos de um e do outro, mas destaca especialmente o aspecto da comunhão das pessoas.

O que se segue no texto, sobre o problema do divórcio, também vai nessa direção; reafirma a fidelidade e a indissolubilidade do vínculo matrimonial acima do próprio bem da prole, que, no passado, fora usado para justificar poligamia, levirato e divórcio:

 

“Eles objetaram: Por que então Moisés ordenou dar-lhe carta de repúdio e mandá-la embora? Jesus lhes respondeu: Por causa da dureza do vosso coração Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no princípio não foi assim. Por isso vos digo que qualquer um que repudia a sua mulher, exceto em caso de concubinato, e se casa com outra comete adultério” (Mt 19, 7-9).

 

O texto paralelo de Marcos mostra que, mesmo em caso de divórcio, o homem e a mulher se colocam, de acordo com Jesus, em rigoroso pé de igualdade: “Quem repudia a sua mulher e se casa com outra comete adultério contra ela; e se ela repudia o marido e se casa com outro, comete adultério” (Mc 10, 11-12).

 

Com as palavras “O que Deus uniu, o homem não separe”, Jesus afirma que há uma intervenção direta de Deus em toda união matrimonial. A elevação do matrimônio a “sacramento”, isto é, a sinal de uma ação de Deus, não se alicerça, portanto, unicamente no frágil argumento da presença de Jesus nas bodas de Caná e no texto da carta aos Efésios que fala do matrimônio como de um reflexo da união entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 32); começa, implicitamente, com o Jesus terreno e faz parte da sua religação das coisas com o início. João Paulo II define o matrimônio como o “sacramento mais antigo”[2].

 

2. O que o ensinamento bíblico nos diz hoje

 

Esta é, em resumo, a doutrina da Bíblia, mas não podemos deter-nos nela. “A Escritura – dizia São Gregório Magno – cresce com quem a lê” (cum legentibus crescit) [3]; revela novas implicações à medida que novas perguntas são feitas. E, hoje, as novas perguntas, ou provocações, sobre matrimônio e família são muitas.

 

Estamos diante de uma contestação aparentemente global do projeto bíblico sobre sexualidade, matrimônio e família. Como comportar-se em face deste fenômeno inquietante? O concílio abriu um método novo que é de diálogo, não de confronto com o mundo; um método que não exclui a autocrítica. Devemos, penso eu, aplicar este método também à discussão dos problemas do matrimônio e da família. Aplicar este método de diálogo significa tentar ver se, mesmo no fundo das contestações mais radicais, não há uma instância positiva a ser acolhida.

 

A crítica ao modelo tradicional de matrimônio e família que levou às hodiernas e inaceitáveis propostas de desconstrucionismo começou com o iluminismo e o romantismo. Com intenções diversas, esses dois movimentos se expressaram contra o matrimônio tradicional visto exclusivamente nos seus “fins” objetivos: a prole, a sociedade, a Igreja, e não o suficiente em si mesmo, no seu valor subjetivo e interpessoal. Tudo se exigia dos futuros cônjuges exceto que se amassem e se escolhessem livremente entre si. Ainda hoje, em muitas partes do mundo, há casais que se conhecem e se veem pela primeira vez no dia das núpcias. A tal modelo, o iluminismo opôs o matrimônio como pacto entre os cônjuges e o romantismo como comunhão de amor entre os esposos.

 

Mas esta crítica não vai contra a Bíblia, e sim a favor do seu sentido original! O concílio Vaticano II recebeu esta instância quando reconheceu como bem igualmente primário do matrimônio o amor e ajuda mútuos entre os cônjuges. São João Paulo II, na linha da Gaudium et Spes, em uma das suas catequeses das quartas-feiras, disse:

 

“O corpo humano, com o seu sexo, e a sua masculinidade e feminilidade (...) é não apenas fonte de fecundidade e de procriação, como em toda a ordem natural, mas inclui, desde o início, o atributo esponsal, isto é, de expressar o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, através desse dom, cumpre o próprio sentido do seu ser e existir”[4].

 

Em sua encíclica "Deus Caritas Est", o papa Bento XVI foi além, escrevendo coisas profundas e novas sobre o eros no matrimônio e até nas relações entre Deus e o homem. “Esta estreita ligação entre eros e matrimônio na Bíblia quase não tem paralelos na literatura”, escreveu ele[5]. Um dos maiores erros que cometemos para com Deus é transformar tudo o que diz respeito ao amor e à sexualidade em uma área saturada de malícia, onde Deus não deve entrar. Como se satanás, e não Deus, fosse o criador dos sexos e o especialista no amor.

 

Nós, crentes – e muitos não crentes – estamos longe de aceitar as consequências que alguns tiram hoje destas premissas: por exemplo, que bastaria qualquer tipo de eros para constituir um matrimônio, inclusive o de pessoas do mesmo sexo; mas essa nossa discordância assume outra força e credibilidade quando unida ao reconhecimento da bondade de fundo da instância, e também a uma sadia autocrítica.

 

Não podemos silenciar a contribuição que os cristãos deram à formação dessa visão puramente objetivista do matrimônio contra a qual a cultura ocidental moderna se lançou com veemência. A autoridade de Agostinho, reforçada neste ponto por Tomás de Aquino, tinha acabado jogando uma luz negativa na união carnal dos cônjuges, considerada o meio de transmissão do pecado original e não isenta, em si mesma, de pecado “ao menos venial”. De acordo com o doutor de Hipona, cônjuges deveriam realizar o ato conjugal “com pesar” (cum dolore) e só porque não havia outra maneira de dar cidadãos ao Estado e membros à Igreja[6].

 

Outra instância moderna que podemos tornar nossa própria é a da igual dignidade da mulher no matrimônio. Essa igualdade, como vimos, está no cerne do projeto originário de Deus e do pensamento de Cristo, mas foi muitas vezes desatendida ao longo dos séculos. A palavra de Deus a Eva, “Ao homem se voltará o teu desejo e ele te dominará”, teve cumprimento trágico na história.

 

Nos representantes da chamada “revolução dos gêneros”, esta instância levou a propostas insanas, como a de abolir a distinção dos sexos e substituí-la pela mais elástica e subjetiva distinção de “gêneros” (masculino, feminino, variável), ou a de libertar as mulheres da “escravidão da maternidade”, prevendo outros meios, inventados pelo homem, para o nascimento dos filhos. Nos últimos tempos há uma sucessão de notícias de que homens em breve poderão ficar grávidos e dará à luz um filho. “Adão dá Eva à luz”, escreve-se sorrindo, quando seria de se chorar. Os antigos teriam definido tudo isso com um termo: hybris, a arrogância do homem diante de Deus.

 

É justamente a escolha do diálogo e da autocrítica o que nos dá o direito de denunciar estes projetos como “desumanos”, ou seja, contrários não só à vontade de Deus, mas também ao bem da humanidade. Traduzidos na prática em larga escala, eles poderiam levar a quedas humanas e sociais imprevisíveis. Nossa única esperança é que o bom senso das pessoas, junto com o “desejo” natural do sexo oposto e com o instinto de maternidade e paternidade que Deus inscreveu na natureza humana, resista a essas tentativas de substituir Deus, ditadas mais por tardios sentimentos de culpa do homem do que por genuíno respeito e amor à mulher.

 

3. Um ideal a ser redescoberto

 

Não menos importante que a tarefa de defender o ideal bíblico do matrimônio e da família é a tarefa de redescobri-lo e vivê-lo plenamente como cristãos, a fim de repropô-lo ao mundo mais com fatos do que com palavras. Os primeiros cristãos, com seus costumes, mudaram as leis do Estado sobre a família; nós não podemos pensar em fazer o oposto, ou seja, em mudar os costumes das pessoas com as leis do Estado, ainda que, como cidadãos, tenhamos o dever de ajudar o Estado a fazer leis justas.

 

Depois de Cristo, nós lemos corretamente o relato da criação do homem e da mulher à luz da revelação da Trindade. A esta luz, a frase “Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” revela finalmente o seu significado, enigmático e incerto antes de Cristo. Que relação pode haver entre ser “à imagem de Deus” e ser “homem e mulher”? O Deus da Bíblia não tem conotações sexuais, não é nem homem nem mulher.

 

A semelhança consiste nisto. Deus é amor e o amor exige comunhão, intercâmbio interpessoal; exige um “eu” e um “tu”. Não há amor que não seja amor de alguém; onde só há um sujeito, não pode haver amor, mas egoísmo ou narcisismo. Onde Deus é concebido como Lei ou Poder Absoluto não há necessidade de uma pluralidade de pessoas (o poder pode ser exercido sozinho). O Deus revelado por Jesus Cristo, sendo amor, é único, mas não solitário; é uno e trino. Coexistem nele unidade e distinção: unidade de natureza, de querer, da intenção, e distinção de características e de pessoas.

 

Duas pessoas que se amam – e o caso do homem e da mulher no matrimônio é o mais forte – reproduzem algo do que acontece na Trindade. Lá, duas pessoas – o Pai e o Filho – se amam e “sopram” o Espírito que é o amor que os funde. Houve quem chamasse o Espírito Santo de “Nós divino”, ou seja, não a “terceira pessoa da Trindade”, mas a primeira pessoa plural[7]. Precisamente nisto é que o casal humano é imagem de Deus. Marido e mulher são, de fato, uma só carne, um só coração, uma só alma, ainda que na diversidade de sexo e de personalidade. No casal se reconciliam entre si a unidade e a diversidade.

 

A esta luz, descobre-se o profundo significado da mensagem dos profetas sobre o matrimônio humano: que ele é um símbolo e reflexo de outro amor, o de Deus pelo seu povo. Isto não significava sobrecarregar de significado místico uma realidade puramente mundana. Não é apenas fazer simbolismo; é, antes, revelar a verdadeira face e o escopo último da criação do ser humano como homem e mulher.

 

Qual é a causa da incompletude deixada pela união sexual, dentro e fora do matrimônio? Por que esta dinâmica recai sempre sobre si própria e por que esta promessa de infinito e eterno é sempre frustrada? Para esta desilusão se tenta um remédio que, no entanto, só faz aumentá-la. Em vez de mudar a qualidade do ato, se aumenta a sua quantidade, passando-se de um parceiro a outro. Chega-se assim à destruição do dom de Deus que é a sexualidade, destruição em andamento na cultura e na sociedade de hoje.

 

Queremos de vez, como cristãos, procurar uma explicação para esta devastadora disfunção? A explicação é que a união sexual não é vivida do jeito e com a intenção querida por Deus. Este escopo era que, através do êxtase e da fusão de amor, o homem e a mulher se elevassem acima do desejo e tivessem certa pregustação do infinito; que se lembrassem de onde vieram e para onde eram direcionados.

 

O pecado, a começar pelo de Adão e Eva bíblicos, atravessou este projeto; “profanou” aquele gesto, ou seja, o destituiu do seu significado religioso. Fez dele um gesto que é fim de si mesmo, conclusão em si mesmo e, portanto, “insatisfatório”. O símbolo foi separado da realidade simbolizada, privado de seu dinamismo intrínseco e, portanto, mutilado. Nunca como neste caso se experimenta a verdade do dito de Agostinho: "Fizeste-nos para ti, ó Deus, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em ti". Não fomos criados, de fato, para viver num eterno relacionamento de casal, mas para viver num eterno relacionamento com Deus, com o Absoluto. Mesmo o Fausto de Goethe o descobre ao fim do seu longo vagar; repensando em seu amor por Margarida, ele exclama no final do poema: "Tudo o que passa é só uma parábola. Só aqui [no céu] o inatingível se torna realidade".

 

No testemunho de alguns casais que fizeram a experiência renovadora do Espírito Santo e vivem a vida cristã carismaticamente, encontra-se algo do significado original do ato conjugal. Não é de admirar que seja assim. O matrimônio é o sacramento do dom recíproco que os esposos fazem de si mesmos um ao outro, e o Espírito Santo é, na Trindade, o “dom”, ou melhor, o “doar-se” recíproco do Pai e do Filho, não um ato passageiro, mas um estado permanente. Onde chega o Espírito Santo, nasce, ou renasce, a capacidade de fazer-se dom. É assim que opera a “graça de estado” no matrimônio.

 

4. Casados e consagrados na Igreja

 

Embora nós, consagrados, não vivamos a realidade do matrimônio, como eu disse anteriormente, nós temos de conhecê-la para ajudar os que a vivem. Adiciono outra razão: precisamos conhecê-la para ser, nós também, ajudados por eles! Falando de matrimônio e virgindade, o Apóstolo diz: “Cada um tem o próprio dom (chárisma) de Deus, uns de uma forma, outros de outra” (1 Cor 7, 7); ou seja: o casado tem seu carisma e o que não se casa ​​“por causa do Senhor” tem o dele.

 

O carisma – diz o mesmo Apóstolo – é “uma manifestação particular do Espírito para o bem comum” (1 Cor 12, 7). Aplicado à relação entre casados ​​e consagrados na Igreja, isto significa que o celibato e a virgindade também são para os casados ​​e que o matrimônio também é para os consagrados, ou seja, para o seu bem. Esta é a natureza intrínseca do carisma, aparentemente contraditória: algo de "particular" ("uma manifestação particular do Espírito"), mas que serve a todos ("para o bem comum").

 

Na comunidade cristã, consagrados e casados ​​podem "edificar" uns aos outros. As pessoas casadas são chamadas, pelos consagrados, ao primado de Deus e daquilo que não passa; são introduzidos no amor à Palavra de Deus que eles podem melhor aprofundar e "compartilhar" com os leigos. Mas as pessoas consagradas também aprendem algo das casadas. Aprendem a generosidade, a abnegação, o serviço à vida e, muitas vezes, certa "humanidade" que vem do duro contato com as realidades da existência.

 

Falo por experiência própria. Eu pertenço a uma ordem religiosa em que, até alguns anos atrás, nos levantávamos à noite para recitar o ofício "matutino", que durava cerca de uma hora. Houve então o grande ponto de viragem na vida religiosa, resultante do concílio. Parecia que o ritmo da vida moderna – o estudo para os jovens e o ministério apostólico para os sacerdotes – não permitia mais aquele levantar-se noturno que interrompia o sono, e, pouco a pouco, ele foi abandonado, a não ser em alguns lugares de formação.

 

Quando, mais tarde, o Senhor me deu a conhecer de perto, em meu ministério, várias famílias jovens, descobri algo que salutarmente me sacudiu. Aqueles jovens papais e mamães tinham de se levantar não uma, e sim duas, três ou mais vezes por noite para dar de comer, dar remédios, embalar o bebê se ele chorasse, cuidar dele se estivesse com febre. E, de manhã, um dos dois, ou ambos, na hora de sempre, tinham de correr para o trabalho depois de levar a criança para a casa dos avós ou para a creche. Havia um relógio-ponto para ser batido, fizesse bom ou mau tempo, com saúde ou sem ela.

 

Então eu me disse: se não corrermos para nos consertar, corremos grave perigo! O nosso modo de vida, se não for regido pela observância autêntica da Regra e por certo rigor de horários e hábitos, periga se tornar uma vida mansa e nos levar à dureza do coração. O que os bons pais são capazes de fazer pelos filhos carnais, o grau de esquecimento de si mesmos a que são capazes de chegar para cuidar da saúde deles, dos seus estudos e da sua felicidade, deve ser a medida do que nós devemos fazer pelos nossos filhos e irmãos espirituais. Temos o exemplo do apóstolo Paulo, que dizia querer "consumir-se" pelos seus filhos de Corinto (cf. 2 Cor 12, 15).

 

Que o Espírito Santo, doador dos carismas, ajudar a todos nós, casados ou consagrados, a colocar em prática a exortação do apóstolo Pedro:

 

"Viva cada um segundo o dom recebido, colocando-o a serviço dos outros, como bons administradores da multiforme graça de Deus (...), para que em tudo seja Deus glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém!" (1 Pd 4, 10-11).

 

Fonte: News Vatican

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